quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Lua rubra

Nem toda morte é maldade
Nem toda mentira é inverdade
A alegria faz-se virtuosa
Tristeza em polvorosa!

Salve a terra da poesia:
Párnaso, já não és mais fantasia!
Nem todos os olimpos e panteões
Aguentam os rugidos dos leões

Loucos! Quem de vós age assim
Derrubando a árvore da jasmim?
Quem odeia divina fragância
É réu em qualquer instância

Ó vida de imprestáveis ânsias!
De inimagináveis discrepâncias!
Tuas tolas responsabilidades
Quebram o existir em mil partes!

Mas minha poesia é minha alegria
Lembrei daquela que sorria
O destino quer que ela descubra
A luz vibrante da lua rubra

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Contos I (+18)


Sete meses. Sete meses que eles não se viam. E nesses sete meses distantes, ele a excitava com recados, por telefone, com histórias. Embora possamos contar o tempo, não podemos contar quantos orgasmos ela teve nestes sete meses, pensando nele. Ele já havia arquitetado tudo, e para ela seria surpresa, afinal, ele era o Dominador, e ela a submissa. Ela foi buscá-lo no aeroporto, chovia torrencialmente. Ele estava vestido como há 7 meses atrás: jeans, tênis, camisa e um blazer. Ela estava de vestido, meia calça e casaco. A recepção não foi como da primeira vez. Não haviam hipóteses, só certezas. Ela o beijou. Um beijo molhado, lascivo, demorado. Algumas pessoas que se encontravam no saguão do aeroporto se escandalizaram, pois além do beijo, a mão dele adentrou por baixo do vestido dela, mas ela, recatada, interrompeu sua investida despudorada. Ele não gostou, e disse a ela que ela seria castigada por tê-lo interrompido. Ela então sentiu uma mistura de prazer e medo. Ele era forte, vigoroso, e sabia causar dor, quando queria. Saíram então do aeroporto e tomaram um táxi. Ele quis ir para o mesmo hotel que passaram na primeira vez. Devido à chuva, estava um pouco engarrafado; antes tivessem tomado o metrô.

Dentro do táxi, ele não usou as mãos, mas foi mais covarde. Utilizou de todo seu arsenal linguístico, sussurrando obscenidades e putarias que faria com ela no quarto. Ela estava molhada, encharcada, e agora até desejava que ele usasse os dedos, mas ele não o faria. Ela não se aguentou, soltou um breve gemido, que acompanhara o gozo. O taxista, safado, olhou para trás pelo retrovisor e sorriu, e a viagem seguiu, tranquilamente.

Chegaram no hotel. Quarto para dois. Deram os nomes, identidades, e assinaram. Terceiro andar. No elevador, ele não a tocou, nem olhou para ela. Ao descerem no andar, desferiu um violento tapa em sua cara. Aquele era o castigo. Ela não revidou, nem tentou desviar. Após o tapa, puxou seus cabelos e a beijou, enquanto a outra mão ia por debaixo do vestido, só para excitá-la ainda mais. Parou subitamente, e se dirigiu para o quarto, ela o seguiu, como a cachorrinha que era.

Chegando lá, ele se despiu, e sentou numa cadeira. Mandou que ela se despisse, e ficou observando e se masturbando. Com ela nua, a amarrou com sua faixa de jiu-jitsu, a outra ponta da faixa amarrou na cama, e deixou ela deitada no chão, amarrada e vendada. Foi tomar um banho rápido. Ela podia ouvir ele se banhando, o barulho da água caindo do chuveiro, ele assoviando. Até que o chuveiro se desligou. Ela já estava molhada, não via a hora dele começar. Ouvia ele se enxugando, ouvia os passos, até que pôde sentir ele por perto. Ouviu um fósforo sendo riscado. Era ele acendendo a vela. Ele então se ajoelhou perto dela. Começou a beijá-la, intercalava mordendo os lábios dela, e então desceu para o pescoço. Beijava com vontade, mas com cuidado para não deixar marcas. Desceu então para os seios, e chupava e mordiscava sem dó os mamilos dela. Ela gemia. Ao mesmo tempo, pegou um consolo e começou a penetrá-la com ele. O corpo dela vibrava, ela gozava seguidamente. Até que ele parou. O que viria agora? Então ela sentiu. Com uma outra faixa, ele a batia. Mas foram poucas faixadas, pois deram lugar à cera da vela. Ele, vagarosamente, derramava a cera, quente, nos mamilos dela. A dor era saborosa, e ela já estava totalmente louca. Então ele colocou os pregadores nos mamilos, e aí se afastou. Ela não sabe ao certo quanto tempo durou até ele voltar, mas seja lá quanto foi, para ela pareceram horas. Então ela ouviu ele se sentando na cadeira próxima. Sentiu então ele colocando os pés no rosto dela, fazendo com que ela chupasse seus dedos, e ela prontamente o fez, como uma cadelinha de estimação. Depois disso ele começou então a penetrá-la usando os dedões do pé. Ela não esperava, e justamente por ser inesperado, deu a ela mais prazer. Ele então parava alguns momentos e levava os dedões a boca dela, para que ela provasse do próprio gozo, e então cuspia na cara dela. Mas logo voltar a penetrá-la. Ora a batia com a faixa, ora renovava a cera quente nos mamilos, e aquele ritual durou horas. Ele, então, no auge da excitação, levou o pênis à boca dela e gozou, dando a ela seu leite quente. Devido ao tesão dele, o orgasmo foi explosivo, e uma parte espirrou para o chão. Ele então puxou ela pelos cabelos e a fez lamber tudinho. Nenhuma gota podia ser desperdiçada. Então desamarrou-a, libertando-a, aconchegou ela em seus braços e ternamente, a beijou.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Epidemia

Um misto de alegria e otimismo
Com um pouco de paranóia e pessimismo
Células amargas, doces mitocôndrias
Satisfação mental, saudáveis hipocôndrias

O sol emerge na aurora
Abatimento chega em sua hora
Mas assumimos logo a preguiça
E a felicidade, abatida, enguiça!

Enquanto seres infectados
Pela dinâmica ociosa burguesa
Estaremos sempre amordaçados
Com um pão mofado na mesa

Mas se achamos a cura
Da epidemia que nos acomete
Celebraremos o fim da loucura
E a felicidade que a liberdade promete

domingo, 28 de outubro de 2012

A lança mais forte

O que acontece?
Com o escudo mais forte do mundo
Quando, súbito, ele conhece
A lança mais forte, que nele adentra profundo?

Diriam que ambos se espatifariam...
Então corre este perigo comigo
Deixa que esta colisão seja nosso castigo
Para vermos se nossos corpos se amariam...

Quero ver tua resistência, lindinha
Apenas para com ela acabar
Mostrar que com uma agulha e uma linha
Qualquer ferida pode-se costurar

Esquece o passado
E deixa-me um beijo te dar
Deixa seu coração, pela lança mais forte, ser transpassado
Para que o sol possa, para ti, novamente brilhar

Pombeu



Estava lá o pombo,
Na beira da piscina nos fundos da casa.
Tinha acabado de pousar.
A água esverdeada, infectada,
Era nela que sua sede ele queria matar.
Eu observava da janela,
E ele, olhou para mim.
A princípio, sentiu medo,
Mas manteve o olhar.
Esperava que eu o afugentasse,
Que atirasse com meu bodoque.
Mas não, me mantive imóvel.
Aquele maldito pombo hipnotizou-me.
Ele bebia da água da piscina,
E a infectava ainda mais (ou não?).
Quando dei por mim, o pombo era eu,
Que bebia da fonte da vida eterna.

sábado, 27 de outubro de 2012

Beba água



Não pense na vida como uma competição,
Senão sempre haverão perdedores.

Não cobre demais de você,
Ou poderá nunca estar satisfeito.

Presenteie-se de vez em quando,
Você merece.

Acorde cedo, faça o que é preciso fazer,
Não acumule tarefas!
Pois o amanhã sempre nos reservará mais trabalho.

Preocupe-se com sua saúde,
Mas não se torne um escravo da balança.

Coma o que lhe der vontade,
Mas fuja dos excessos.

Seja comedido no falar,
Às vezes podemos nos arrepender do que proferimos.

Não digas,
Aja.

Preserve o planeta, ele é sua casa;
Não jogue lixo no chão da rua.

Creia e dê bom exemplo para a posteridade,
Eles governarão o mundo no qual você envelhecerá.

Não se preocupe com a morte,
Logo logo ela virá, relaxe.

Sorria, mas não exagere,
Sorrisos forçados podem significar estupidez.

Não faça dos holofotes sua vida,
O principal acontece na coxia.

Ame, entregue-se, não se limite.
A perda dói tremendamente, mas a felicidade vivida faz valer a pena.

Enxergue para além das aparências,
Pode encontrar a felicidade onde menos esperar.

Tenha um hobby,
Dedique-se a algo simplesmente por amor.

Escreva um livro um dia,
Você tem histórias para contar.

Não permita-se mudar por alguém.
Se alguém não te ama como é, 
Não é uma mudança que fará com que te ame.
Sempre pedirá para que mude mais.

Respeite os mais velhos,
Mas não deixe que ninguém dite as regras da sua vida.

Pare um instante por dia para refletir,
Principalmente antes de tomar decisões importantes.

Em alguns momentos, abandone o computador,
A televisão, a música e até os livros.
Tem pessoas lá fora, conheça-as.

Não se torne escravo do trabalho,
Não acumule riquezas que não vai poder usufruir.

Estes conselhos, são apenas a ponta do iceberg...
Viva amigo, o necessário já está dentro de você,
Você é capaz de encontrar seu caminho no mundo.

A vida amigo, ela acontece hoje.
Um mundo lá fora te espera.
Mas não se esqueça:
Beba bastante água.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Curativo


Em tua pele vejo feridas
Mas sem feridas, tua pele eu não vejo
Não há necessidade de despedidas
Não vês, da saudade, um lampejo!

Tens quem te sopre o dodói
Quando ralas o joelho no chão
Rancor, todo mundo remói
Quando vens pedir proteção

Petrifica o soldado que te guarda
Só assim ele nunca fugirá
E não precisarás de curativo

Ameniza a justiça que te aguarda
Só assim ela não te condenará
Ao queimar com o remédio ardido

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

O choro

O choro do amor é a glória
Da saudade é a memória
Da ambição é a decepção
Da despedida é a atração

O preço da raiva é o ódio
Do treino é o pódio
Da bondade, misericórdia
Da maldade, discórdia

E o preço do choro
Nem mil quilos de ouro
Haverão de pagar

Só o choro do preço
A pagar pelo apreço
De quem sabe amar

terça-feira, 23 de outubro de 2012

O Uivar do Lobo



Desde o dia em que se foi minha aurora,
Este casulo tem sido minha morada.
Sinto saudades do sorriso de minha senhora,
A dor da saudade é como em meu peito uma espada.

Deito na cama e relembro cada segundo,
Do momento em que ela partiu em disparada.
Foi o minuto em que desabou o meu mundo,
E desde então vivo vagando pela madrugada.

No travesseiro um fio de cabelo dela,
E nas roupas o cheiro do seu perfume.
Corro em prantos e tento abrir a janela,

E avisto ao longe um vaga-lume.
Só penso numa coisa: onde estará minha donzela?
E um lobo uiva lá no alto do cume.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Poesia daquele que escreve seus sentimentos e queria que eles tivessem algum efeito na realidade

Alô, som! Alô, checagem, um, dois!
Nem com microfone serei eficiente
Mas também não posso deixar para depois
O que produz, célere, minha mente...

Eu quis produzir poesias para mim
E acabei produzindo-a para outrem
É muito fácil ser triste assim
Pois não podemos mudar a ninguém

É simples o algoritmo da dor
Tome um dose de nostalgia
Se seu coração queimar com o ardor
Um loop infinito mostrará sua magia

Um dia me chamaram de louco
Por ceder às tristes conversas com a lua
Mas louco não sou, nem um pouco
Apenas conheço a realidade crua

Então é isto: Estas palavras são minhas
E minhas, somente!
Não adianta entrar em picuinhas
Pois a inutilidade destas é mais que aparente

Assim termino esta poesia
Que não buscou a ninguém tocar
E queira Deus não seja heresia
Tê-lo tentado outrora lograr