sábado, 1 de dezembro de 2012

Móveis


O short florido do cobrador da van,
Me faz lembrar das flores do jardim.
Que minha vó cultivava toda manhã,
Quando você se esqueceu de mim?

O óculos vintage da menina de saia riscada,
Reluz a luz no capuz de avestruz.
Quando te pedi para ser minha namorada,
Vi que seu machucado não tinha pus.

A van cruzou a ponte,
A baía não é Aqueronte,
Mas cumpriu o papel infernal.

Caiu lá de cima e morreram todos,
Mas para o seu total desgosto,
Desci antes do ponto final.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Automático autômato

Esvaziou-se no cansaço minhas reservas
Por defeitos alheios, veio-me a fadiga
A luz que me guiava, tornou-se trevas
Dizem que precisam de férias... Eu que o diga!

Engrenagens que moem-me os ossos
Cartilagem que em óleo se torna
Sou eu, limitado em esforços
O horror que à peste adorna.

Quero, e vou, saltar a outros galhos
Tal qual macaco peralta e arteiro
 Neste aqui, já estou em frangalhos
Quero a unção sacrossanta do oleiro

Nada irá consertar-se sozinho
Então vou-me a um novo horizonte
É preciso ousar no caminho
E subir, mui contente, ao monte

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Súplica


Meu coração se despedaça entre seus dedos.
Você desperdiça os meus suspiros,
E o palpitar em meu peito.
Você não percebe o que você tem?
Não consegue ter idéia,
De quanto me custou tudo isso...

Eu me entreguei...a ti.
Então faça valer, não me abandone,
Olhe nos meus olhos, veja a lágrima cair,
Vamos lá!
Eu confiei meu último suspiro a ti,
Então vamos,
Não desista...
Por favor!
Minha vida está em suas mãos.
Meus sonhos despedaçados por onde você pisa...

Preciso retornar, cometi um erro,
Um engano...
Não há retorno, quando se apaixonou.
Então por favor,
Olhe em meus olhos,
Não me abandone.
O mundo se acaba e você não percebe,
Olhe para mim...
Em meus olhos...
O brilho se esvai aos poucos,
Então segure minha mão,
Por entre meus dedos,
O que é de fato importante para ti?

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Mil vezes


Vergonha: Se em meu roteiro, não te ensaio!
Auto-piedade: Se em meus versos, não te canto!
Pois se, por mil vezes, não resisto e caio
Em mil e uma vezes, eu me levanto!

Sendo humano, minha tendência é ir ao chão
Mas por esta mesma natureza, devo voar
Pois mesmo que o erro chegue à enésima repetição
Num enésimo momento, com ele aprenderei a lidar

Apesar de tudo, ridicularizamo-nos tolamente
Numa fraternal e patética cegueira velada
Vêm isto do não saber da alma e da mente
Razão da miséria humana, da guerra declarada

Mas se por mil vezes eu descer com o rosto por terra
Não me preocuparei com a celebração do "eu já sabia"
Na milésima primeira vez ainda há quem erra
Levanto meu corpo junto ao ar que subia

E como fumaça de incenso subo às alturas
Sem medo de que, se condensado, desça aos pingos
Por mil vezes experimentei as amarguras
E como Cristo, ressuscitei sempre aos domingos

Celebra comigo a milésima queda
Para comemorar em seguida mil e uma ascensões
De erro em erro acumulo uma moeda
Para comprar um lugar entre os campeões

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Fogo de Desencanto


Ela gostava de móveis coloniais,
E dizia gostar de Tom Jobim.
Nação Zumbi norteava seus ideais,
E ouvia Los Hermanos no bar do Bin.

No circo voador,
Ela se emocionou e chorou,
Ouvindo a música "oração",
De uma banda sem noção.

Me apaixonei sem conhecer,
E acabei por me envolver,
Com essa "móveis" sem querer.

Eu estava apaixonado,
Mas rompi frustrado,
Quando me fez ouvir "Cordel do Fogo Encantado".

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Vlad

Incompreendido, fostes transformado
Num monstro de caninos pontiagudos
Deixo o politicamente correto de lado
E rio ao ver, empalados, cadáveres mudos

Ousaram eles barbarizar a tua terra
E contra eles, não tivestes perdão
Nunca houve outra chance a quem erra
Enormes estacas foram seu galardão

Eu sei que ele, vitorioso, gargalhava
E não tolerava crimes nem entre os seus
Com terror ele governava
Garantindo paz aos valáquios plebeus

Por detrás do Danúbio ficaram os otomanos
Tremendo diante da tua mão forte
Teus métodos pareciam insanos
Mas insano era o destemor inimigo à morte

Salvou o ocidente, o empalador!
Dos opressores da Ásia Menor!
Vida longa ao imperador!
A eternidade é sua conquista maior!

Imagino Vlad, se fosse hoje vivo
Empalando os vermelhos, deixando-os brancos
Cada gota de sangue sob o seu crivo
Disciplina! Ou estaca dos glúteos aos flancos!



domingo, 25 de novembro de 2012

Fred, Saudades



Vinte e um anos que você se foi.
Mas sua voz segue viva em meu peito,
Às vezes a saudade até dói,
E para aliviar só há um jeito...

Lembrar que "O show não pode parar",
Que você foi meu melhor amigo.
Que Deus nos enviará alguém para amar,
E que o jogo do amor é um desafio.

Você se foi Fred, mas quem irá te parar?
Você risca os céus como Lady Godiva,
É uma vida difícil, mas vamos nos libertar.
Pois há um tipo de mágica, quando ouço Radio Ga Ga.

Você cantou minha vida,
Sou grato a você.
Lamentarei sempre sua partida,
E espero um dia, além, poder te ver.

Desordenado

Como o planeta-x e Nibiru
A destroçar mentes incautas
Corta-se o pescoço do peru
Afunda-se a nau dos argonautas
E toda esta desordem natural
Ao entranhar-se assim, casual
Na minha imagem se apresenta
Assim feia, como se aparenta!

É inadmissível saborear o destino
Se aos poucos definha a nossa estrada
Tijolo por tijolo, do barro mais fino
Minha via, assim mesmo extraviada
Mas em minha mão ainda repousa
Como garranchos na lousa
O poder cedido do Alto
De trocar tijolos por asfalto

Decreto a expulsão da desordem
Desordenado, nunca mais
Quero em mim a beleza da ordem
O navio zarpando no cais


sábado, 24 de novembro de 2012

Solidão Madrugada



Sonhei na madrugada que morri,
Três dias após meu aniversário.
Confesso, um pouco sofri.
Chorei e rezei o rosário.

Quinze para as quatro,
Onde está você?
Não se encontra em meu quarto,
Minha companhia é a TV.

Medito por alguns minutos,
Volto a dormir.
Transtornado, coração acelerado,

Terrivelmente angustiado.
Palavras vazias.
Quem tem saudade, mata e fim.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Jogos de Amor


Ele chegou, nos 15 minutos do primeiro tempo,
O técnico o convocou por telefone, e ele estava lá.
Ao vê-lo ela suspirou. Pensou que não fosse ele, mas tomou provas.
Era ele.
"Amor, estava morrendo de saudades".
Conversaram horas a fio, e o técnico observava.
O gol não saiu. Não naquele dia.
Mas já estava guardado,
Em algum lugar.